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Melanotaenia Eachamensis

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ricalves
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MensagemAssunto: Melanotaenia Eachamensis   Qua 25 Ago 2010, 22:17Este Tópico está bloqueado. Você não pode editar as mensagens ou responder.


Melanotaenia eachamensis [Lake Eacham] - photo© Gunther Schmida

Melanotaenia Eachamensis
Allen e Cross, 1982
Peixes arco-íris do lago Eacham


Melanotaenia Eachamensis inicialmente apenas era encontrada no Lago Eachem, um lago cratera localizado em Atherton Tablelands a cerca de 40 km a sudoeste de Cains no norte de Queensland. O lago tem um comprimento sudoeste-nordeste de cerca de 1,5 km e 1 km de largura. A água do lago é fornecida inteiramente a partir da bacia hidrográfica na borda da cratera. A água do lago é neutra com um baixo nível de sais dissolvidos, com temperaturas entre os 18 e os 28 graus. O lago é profundo e permanente, variando sazonalmente com uma profundidade máxima de 65,5 m durante a estação chuvosa.
Melanotaenia Eachamensis é uma pequena espécie de peixe arco-íris. Podendo atingir no máximo 8 cm, mas normalmente tem menos de 6 cm. Eles têm um corpo esbelto e compactado. Os machos podem ser distinguidos das fêmeas com base em diferenças na coloração e na forma das barbatanas dorsais, na anal e na ventral. Os machos originais colectados no Lago Eacham tem uma coloração geral no corpo bronze. A primeira barbatana dorsal tinha um jato negro enquanto a segunda barbatana dorsal e a anal tinham uma coloração castanha avermelhada. As fêmeas eram bastante mais simples que os machos e tinham as barbatanas dorsais e anais mais arredondadas.
Gerald Allen colectou os peixes arco-íris do Lago Eacham em 1978e foram descritos em 1982 como Melanotaenia Eachamensis, embora tenha sido considerado estar estreitamente relacionado com a generalidade dos Melanotaenia splendida. Allen e Cross descreveram a nova espécie com base em diferenças de cor e forma do corpo das populações em torno dos Melanotaenia splendida.
Durante os inquéritos oficiais do Lago Eacham em 1973 e 1974 a fauna deste consistia apenas em Melanotaenia Eachamensis, Craterocephalus Stercusmuscarum e Mogurnda Adspersa. Os peixes arco-íris eram abundantes no lago nesta altura, mas durante os anos 80 quatro espécies de peixes nativos (Amniataba percoides, Glossamia aprion, Nematalosa erebi e Toxotes chatareus) foram introduzidas no lago, e foi noticiado que os peixes arco-íris deixaram de existir.
Foi reportado pela primeira vez a existência de peixes arco-íris no Lago Eacham em 1965 por membros da Townsville Aquarium Society, mas eram geralmente considerados como não sendo tão coloridos como outros peixe arco-íris de outras zonas costeiras. Eles nunca foram colectados pelo menos não oficialmente, no entanto não a registos de eles terem sido mantidos em aquários nos primeiros anos. A descrição de Allen e Cross dos peixe arco-íris do Lago Eacham ajudaram a estimular o interesse em manter estes peixes, e felizmente alguns espécimes foram colectados para aquário em 1982.


Melanotaenia eachamensis [Walkamin] - photo© Gunther Schmida


Em 1987 Barlow pesquisou o lago, mas falhou na tentativa de encontrar peixe arco-íris, apesar das quatro espécies introduzidas terem sido num número abundante, foram declaradas extintas no estado selvagem (alguns permaneciam em cativeiro). Após o relato da sua extinção, em Novembro de 1989, três mil Walkamin Eachamensis trazidos dos stocks de cativeiros foram libertados no LagoEacham , mas nas pesquisas realizadas apenas três meses depois e durante todo o ano de 1990, nenhum exemplar foi encontrado.
Para além das constatações acima, foram lá colectados Lates Calcarifer em 1990-1991. Hephaestus fuliginosus e Melanotaenia splendida também haviam sido introduzidas e continuavam presentes. Ironicamente, Melanotaenia splendida estava agora presente e em grande número, e outra espécie que se acreditava ser um exótico também havia sido observada. Mesmo estando o lago situado num Parque Nacional e uma parte nos Wet Tropics World Heritage Area, todas estas espécies foram introduzidas ilegalmente.
Há três lagos vulcânicos, Eacham, Barrine e Euramoo que ocorrem em estreita proximidade uns dos outros no Atherton Tablelands. O Lago Euramoo é relativamente pequeno com uma área de 4500 metros quadrados, sem entrada ou saída de canais. O lago tem uma profundidade média de cerca de 20 metros na extremidade norte e de 16 metros no extremo sul, apesar de existirem flutuações sazonais na profundidade da água de 2, 3 metros. O lago Barrine tem em média 67 metros de profundidade. Tem cerca de 1 km de diâmetro, tem um litoral com cerca de 4,5 km e é o maior dos lagos vulcânicos da zona. A área em redor dos dois lagos, o Eacham e Barrine contem riachos que desaguam no Tinaro Dam (rio Barron) mas não está associado com os próprios lagos. Ambos os lagos estão muito próximos da área de represamento do Tinaro Dam no no fluxo de Wright Creek e Congoo Creek. O lago Barrine tem fluxo de inundações com conexões a Toohey Creek, um afluente do rio Mulgrave.


Melanotaenia eachamensis [Dirran Creek] - photo© Gunther Schmida

Durante 1988 outros peixes arco-íris de identidade incerta foram encontrados em Dirran Creek (rio North Johnstone) e Lago Euramoo. O lago Barrine também tinha peixes arco-íris de identidade incerta, embora na altura tenham sido descritos como Melanotaenia Splendida. Embora em 1991 num breve levantamento sobre o lago Barrine numerosos Glossamia Aprion foram também encontrados, mas nenhum peixe arco-íris. Como o lago Barrine tem um fluxo de conexão com a parte superior com o rio Mulgrave via Toohey Creek, os peixe arco-íris no lago Barrine podem ter sido os comuns Melanotaenia Splendida, ou se as cataratas no Mulgrave superior e Toohey Creek impediram a colonização dos Melanotaenia Splendida, estes podem ter tido outras formas de peixe arco-íris. Os peixes arco-íris do lago Euramoo foram analisados como parte dos estudos genéticos dos peixes arco-íris do lago Eacham durante os anos 90. Contudo nenhum espécime do lago Barrine foi incluído no estudo pois os investigadores não conseguiram encontrar nenhum lá. Um número de peixes nativos predadores também foi introduzido no lago Barrine. Acidentalmente alguns peixes nativos predadores eram agora encontrados em Dirran Creek.
Em 1983 foram obtidos de Mobo Crater exemplares selvagens de outras espécies de peixes arco-íris de identidade desconhecida. A cratera Mobo fica localizada entre o Lago Euramoo e o Lago Barrine. Este peixe nativo foi distribuído na Austrália para aquários como sendo a Melanotaenia Eachamensis (Mobo Crater) apenas em 1999, mas os peixes capturados não se pareciam nada como os verdadeiros Melanotaenia Eachamensis. Tanto quanto se sabe nenhuma espécie de Mobo Crater foi incluída nos estudos acima. Este formulário parece contudo ter desaparecido da aquariofilia.


Melanotaenia eachamensis [Lake Euramoo] - photo© Neil Armstrong

A partir daí Crowley e Ivantsoff (1991) conduziram análises de um número de arco-íris nascido em cativeiro do lago Eacham e relataram que não conseguiam distinguir Melanotaenia Eachamensis e Melanotaenia Splendida. No entanto estudos de Moritz (1995) relataram conclusões contrastantes. Análises de ADN de colecções de arco-íris de bacias adjacentes ao lago Eacham nascidos em cativeiro confirmaram que os Melanotaenia Eachamensis são uma espécie separada e distinguível dos Melanotaenia Splendida das áreas circundantes. Alem disso os arco-íris do lago Euramoo e Dirran Creek exibiram uma linhagem pura com Melanotaenia Eachamensis (Moritz1995).
Usando analises de carácter morfológico Pusey (1997) acreditava que os Melanotaenia Eachamensis poderia ser uma espécie ainda mais generalizada, que ocorrem em terras altas e em muitas afluentes da planície do norte e do sul do rio Johnstone, em terras altas tributarias do rio Herbert, nas partes superiores dos rios Tully e Daintree. Trabalho genetico realizado posteriormente (Zhu 1998, McGuigan 2000, Hurwood e Hughes 2001) sugeriu que pelo menos algumas dessas ocorrências não eram de Melanotaenia Eachamensis mas sim de algumas variantes incomuns de Melanotaenia Splendida e Utcheensis, ou populações exibindo mais de uma espécie. Os Melanotaenia Utcheensis foram descritos como uma nova espécie em 2000, com populacoes conhecidas de Utchee, Fisher, Rankin e Short Creeks no norte e sul das bacias de Johnstone (McGuigan 2000).


Melanotaenia sp. [Streets Creek, Kuranda] - photo© Neil Armstrong

Zhu em 1998 também encontrou populações que continham uma mistura de alelos de Melanotaenia Eachamensis e Splendida, noutras localizações tais como canais de irrigação do Tinaroo Dam (walkamin “Eachamensis”), Streets creek (Kuranda Reds), parte superior de Barron e outras tributações do norte e sul do rio Johnstone tais como Williams Creek e Ithaca Creek. O aparecimento de peixes Melanotaenia Eachamensis em canais de irrigação do Tinaroo Dam provavelmente representaria a deslocação destas espécies para a bacia superior do rio Barron. A distribuição anormal de alelos de Melanotaenia Eachamensis demonstrada por Zhu (1998) pode também sugerir que podem ter deslocado para outras localizações, e aumenta as possibilidades de até o lago Eacham pode não ter sido o seu habitat original. Foi também sugerido que os Melanotaenia Utcheensis e Eachamensis foram os habitantes originais da região e que os Melanotaenia Splendida possam ter invadido a região mais recentemente. Os limites das três espécies não esta bem definido e provas recentes sugerem que pelo menos algumas populações possam ter sido hibridizadas nos córregos da região de Cairns-Atherton.


Melanotaenia sp. [Emu Creek, Atherton] - photo© Neil Armstrong

Em geral os peixes arco-íris desenvolveram-se em diferentes espécies e subespécies depois de se tornarem geograficamente isoladas de outras espécies, adaptando-se aos seus diferentes Melanotaenia Eachamensis estiveram isoladas geograficamente durante talvez centenas de anos. Gradualmente elas desenvolveram mudanças físicas que reflectiam essa adaptação. Contudo apesar das pesquisas efectuadas ate á data o estado e distribuição dos Melanotaenia Eachamensis ainda permanece por esclarecer.

Observações:

Obtive espécies selvagens de Melanotaenia Eachamensis em Maio de 1982, e obtive a primeira criação em Setembro do mesmo ano. Mantive em cativeiro uma pequena população até Fevereiro de 2000. Contudo na minha opinião sósias genéticos não se parecem fisicamente com a populacao original colectada no lago Eachame mantidos por mim durante muitos anos. Embora eu concorde que os peixes arco-íris do Darren Creek são muito similares, o resto dos assim chamados Melanotaenia Echamensis não se parecem em nada com os peixes originais do lago Eacham.
Eu também tenho dúvidas sobre a validade de alguns Melanotaenia Eachamensis serem mantidos hoje no hobby australiano. O problema é que muitos destes sósias foram e estão sendo distribuídos sob o nome de eachamensis apresentando stocks em cativeiro que não se parecem com os peixes originais. Suspeito que haja muito poucos (se existirem) descendentes genuínos do lago original Eacham. Podem talvez existir stocks originais na Europa e América do Norte se estes não foram contaminados com os sósias como aconteceu na Austrália. Os ovos foram enviados para a Europa e America do Norte entre 1980 e 1990 período em que as populações foram estabelecidas.
Quer sejam ou não estes sósias verdadeiramente Melanotaenia Eachamensis é assunto para um debate em curso. Assim, nomes específicos com base na localidade onde são encontrados deveriam ser usados por entusiastas para identificar cada forma. Onde as populações precisam de ser identificadas elas deveriam ser vendidas e distribuídas com a inclusão de uma forma ou população identificadas entre parênteses por exemplo: Melanotaenia Eachamensis (Dirran Creek).


Lake Eacham - photo© Allan Travers

Literatura
Allen, G.R. and Cross, N.J. (1982). Rainbowfishes of Australia and Papua New Guinea. Angus and Robertson, Sydney.

Allen, G.R. (1989). Lake Eacham rainbowfish rediscovered? Fishes of Sahul 5: 217-219.

Allen, G.R. (1995). Rainbowfishes: In Nature and in the Aquarium. Tetra-Verlag, Melle.

Barlow, C.G., Hogan, A.E. and Rogers, L.G. (1987). Implication of translocated fishes in the apparent extinction in the wild of the Lake Eacham rainbowfish, Melanotaenia eachamensis. Australian Journal of Marine and Freshwater Research 38: 897-902.

Burrows, D. W. (2004) Translocated Fishes in Streams of the Wet Tropics Region, North Queensland: Distribution and Potential Impact. Cooperative Research Centre for Tropical Rainforest Ecology and Management. Rainforest CRC, Cairns (83pp).

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Moritz, C., Zhu, D. and Degnan, S. (1995). Evolutionary distinctiveness and conservation status of the Lake Eacham rainbowfish, Melanotaenia eachamensis. Final Report to Wet Tropics Management Authority, Department of Environment and Heritage. University of Queensland, St Lucia.

Pusey, B.J., Bird, J., Kennard, M.J. and Arthington, A.H. (1997). Distribution of the Lake Eacham rainbowfish in the Wet Tropics region, north Queensland. Australian Journal of Zoology 45: 75-84.

Pusey, B.J., Kennard, M.J. and Arthington, A.H. (2004). Freshwater Fishes of North-Eastern Australia. CSIRO Publishing, Victoria.

Russell, D.J. (1987). Aspects of the limnology of tropical lakes in Queensland - with notes on their suitability for recreational fisheries. Proceedings of the Royal Society of Queensland 98: 83-91.

Trenerry, M. and Werren, G. (1991). Fishes. Pages 104-107 In: Nix, H.A. and Switzer, M.A. (eds.). Rainforest Animals: Atlas of Vertebrates Endemic to Australia's Wet Tropics. Australian National Parks and Wildlife Service, Canberra. 112pp.

Zhu, D., Degnan, S. and Moritz, C. (1998). Evolutionary distinctiveness and status of the Lake Eacham rainbowfish (Melanotaenia eachamensis). Conservation Biology 12: 80-93.

© Copyright Adrian R. Tappin
Updated January, 2009

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Texto traduzido por ricalves
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lino_51
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MensagemAssunto: Re: Melanotaenia Eachamensis   Sab 07 Set 2013, 00:59Este Tópico está bloqueado. Você não pode editar as mensagens ou responder.

Belo post, só faltou as fotos...
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