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Iniciação ao aquário do Tanganyika

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AquaBen
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MensagemAssunto: Iniciação ao aquário do Tanganyika   Qua 24 Mar 2010, 00:27Responder ao tópico

O que se deve saber antes de escolher os peixes do Lago Tanganyika.

Parâmetros da água do aquário de Tanganyikas:
Quem vai se iniciar num aquário para Tanganyikas tem de ter em mente que apesar do Lago Tanganyika ser considerado de “água doce”, os parâmetros da água do Lago assemelham-se mais à água salgada que ao vulgarmente chamamos de água doce.
É verdade que o cloreto de sódio (sal), não existe no Tanganyika, mas em sua substituição, a concentração de cloretos de magnésio, cálcio, potássio e outros sais é elevadíssima, principalmente a do magnésio o que faz com que a dureza seja muito alta, GH 14 a 20, (estes valores correspondem aos testes normais usados na aquáriofilia “nº de gotas = a grau”), será o ideal para se manter nos nossos aquários. Quanto ao pH esse é bem mais alto que qualquer mar de água salgada, ronda na casa dos 8.6 a 9.2 sendo aconselhável a manutenção em aquário na faixa dos 8.2 a 8.4, mas fácil de preparar e manter estável com a utilização de “Buffer’s” (sais usados para alterar e manter o pH nos valores desejados).
A concentração do KH influencia directamente na manutenção do pH como tal e para que se consiga um pH estável no aquário do Tanganyika convém que o KH fique entre os 14 e os 20 (estes valores correspondem aos testes normais usados na aquariófilia “nº de gotas = a grau”).
Um dos erros mais comuns cometidos por nós no aquário do Tanganyika é as temperaturas altas, o Lago tem variações de temperatura muito pequenas e estratificadas, se é verdade que em zona pouco profundas e calmas a temparatura na superfície ronda os 27ºC, a maioria das espécies que temos nos nossos aquários vivem entre os 5 e os 10metros onde a temperatura em constante na caso dos 25º-26ºC e nesta faixa se incluem os Tropheus, Cyprichromis e outros peixes que designamos de meia água, os peixes que designamos de rocha, conchiculas e filtradores de areia vivem entre os 10 e os 20metros onde a temperatura é praticamente constante na casa dos 25ºC, mas atenção muitas das espécies que se enquadram nas designações anteriores vivem abaixo dos 20 metros alguns são mesmo de profundidades superiores a 40metros (C.frontosa, Benthochromis, etc…), onde a temperatura fica na casa dos 24,5ºC. Para se evitar graves problemas provocados por temperaturas altas nos nossos aquários, o ideal é tentarmos manter a temperatura entre os 24 e os 26ºC no máximo, infelizmente durante o Verão isso tornasse numa missão quase impossível, mas com a ajuda de “Cooler’s” ou de cabeças de circulação tipo “Coralea” usadas em água salgada, consegue-se atenuar os efeitos nefastos das temperaturas superiores a 27ºC nos nossos aquários de Tanganyikas.

A escolha do aquário:
Como já vimos acima os peixes que temos à disposição no comercio são de profundidade superior aos 5 metros, como tal pensamos que quanto mais alto for o aquário melhor. Não poderíamos estar mais longe, para além de ser mais difícil manter uma temperatura homogénea nos aquários altos, 70 ou mais de altura, os peixes do Tanganyikas, mesmos os que chamamos de meia água, nesses aquários, raramente se aventuram acima dos 20cm de profundidade, por isso e na minha opinião a altura ideal do aquário fica entre os 50 e os 60cm. Agora quanto ao comprimento e largura, quanto maior melhor, claro que as dimensões mínimas de muitas vezes deparamos nos livros e outras fontes e informação sobre as espécies do Tanagnyika, são baseadas em aquários mono-espécie e passo a dar um exemplo: um aqua de 100x40x50 é um óptimo aquário para um casal de Neolamprologus bichardi, mas só mesmo para um casal e sua respectiva “família”, mas num aquário de 120x 50 x50, já se pode manter um casal de Neolamprologus do complexo “Brichardi”, um casal de Julidochromis, um cardume de Cyprichromis, um casal de Altolamprologus e se a disposição do layout o permitir ainda haverá espaço para mais uma colónia de N.simillis e até mesmo um casal de Eretmodus. Este exemplo é viável, mas temos sempre de ter em conta a disposição do “Layout”, que basicamente deve ser constituídos com zonas de rochas a formar “ilhas” separadas para que as fronteiras dos territórios sejam facilmente identificadas pelos seus habitantes.
Resumindo, quanto mais comprido e lago for o aquário melhor.

Materiais para Layout:
Neste campo não há muitas restrições, podemos usar qualquer tipo de rocha, excluindo somente a rocha morta e corais, não só por causa das suas arestas cortantes poderem provocar feridas nos peixes, como por motivos ecológicos de preservação dos recifes de coral que estão a ser “saqueados” para satisfazer a procura crescente deste nosso querido “Hobby”.
O substrato deve ser de areia o mais fina possível e não abrasiva, para não ferir os “filtradores de areia” e os escavadores, eu aconselho areia de calcite (calcita), para além de ser barata vai ajudar na manutenção do pH.

Filtragem:
Este é sem duvida um dos pontos principais no aquário do Tanganyika.
Existe um conceito errado que o aquário do Tanganyika tem de ter uma corrente forte e como tal usam filtros interior de grande caudal para compensar filtros exteriores de pouco caudal, bem nós medimos a eficácia da filtragem pelo caudal debitado pelos filtros, pois é esse o modo que os fabricantes nos apresentam o produto e como regra geral quanto maior for o caudal de um filtro exterior maior é a sua área de filtragem, isso num filtro interior já não é assim, pois para além de não ter praticamente zona para filtragem biológica e em aquários de pH superior aos 8 a filtragem biológica é a mais importante, pois níveis de 0,06 ppm de amónia já são mortais para a maioria das espécies do Tanganyika, esses filtros muitas vezes sugam os peixes mais pequenos para o seu interior.
Pelos motivos acima e mais alguns um aquário para Tanganyikas deve ter um a dois filtros exteriores com “baldes” grandes para aumentar a filtragem biológica e de preferência com um debito 7 a 10 vezes o volume do aquário por hora (exemplo: para um aquários de 350lt reais, (150x50x50) deve ter um filtro de pelo menos 2400lt/h ou dois filtros de 1500lt/h). Claro que podemos compensar a deficiência da filtragem com TPA’s mais frequentes ou com o auxílio de filtragem química, (utilização de resinas anti-amónia, anti-nitratos e anti-fosfatos).

Flora:
As plantas não são necessárias como auxilio de filtragem nem servem de zona de refugio para os Tanganyikas, mas para quem gosta dum tom de verde (para além das algas), vai se deparar com o problema dos parâmetros da água. São poucas as espécies que temos disponíveis no mercado que sobrevivam em GH e pH tão elevados, mas temos algumas plantas que se adaptam bem e outras que sobrevivem, mas não se vão desenvolver correctamente.
Nas plantas que vivem bem num aquários de Tanganyikas: quase todas as espécies de Valisneria, inclusive existe uma espécie desse género no Lago Tanganyika, a Ceratophyllum demersus para além de existir uma variedade dela no Lago facilmente se encontra essa planta no comercio, o único requisito é que não se deve usar Ceratophyllum que estejam em pH abaixo do 7 directamente num aquário com pH superior a 8.2, uma mudança brusca dessa ordem a planta perde todas as suas folhas, normalmente regenera, mas vai encher o aquário de pequenas “agulhas” verde, que são as suas folhas.
Plantas que sobrevivem e muitas vezes são usadas nos aquários de Tanganyikas, são as Anubias e os Fetos de Java, nas suas mais diversas formas.

Fauna: este assunto não é assim tão linear e tão pouco se consegue definir regras de “comportamento”, entre espécies. Este assunto é demasiado complexo para se tratar nestes moldes, cada caso é um caso, a introdução das espécies tem de ser muito bem estudada, tanto a nível comportamental inter-espécie como a interacção das espécies versus espaço disponível.

Espero ter ajudado e caso surjam algumas dúvidas sobre este assunto não hesitem em perguntar.

Ao vosso dispor
AquaBen

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